A Fusão dos Estilos nos Anos 60
O som da California, em que pese o nome, não se traduziu num estilo único. O termo vem do fato de que a California surgia no contexto musical desde o início da década com a chamada "Surfing Music" popularizada pelos Beach Boys.

Com o passar dos anos, a California abrigou o início do movimento hippie e seus representantes musicais como The Mamas & The Papas. A popularidade das drogas alucinógenas, como o LSD, produziu o psicodélico Acid Rock, cujos representantes mais significativos foram: o Jefferson Airplane (depois mudado para Jefferson Starship e hoje simplesmente Starship), e o Greatful Dead.

O rock chegou aos palcos de teatro com o espetáculo "Hair", em 1967, até hoje constantemente remontada. Aliando as idéias da época com eficientes trilhas musicais, fórmula perfeita seguida mais tarde por "Tommy" e "Jesus Christ Superstar".

No final da década, as diferenças entre o tradicional rock’n’roll e o rock eram evidentes. A instrumentação de saxofone, piano, guitarra amplificada e bateria foi substituída por várias guitarras amplificadas, maiores baterias e um aumento substancial de recursos da tecnologia eletrônica.

Os padrões de 12 compassos do blues e músicas de 32 compassos foram alterados ganhando formas, que por vêzes, tomavam um lado inteiro de um disco em vinil. As letras de amor jovem e problemas de adolescentes ganharam comentário social, glorificação de drogas e associação livre à poesia.

Nomes de grupos descritivos e sonoros Beach Boys, Crew Cuts, Everly Brothers foram substituídos por outros nada descritivos como The Who, Jefferson Airplane, Big Brother & The Holding Company.

Finalmente, a separação entre intérprete e compositor parecia ter acabado com a síntese dos dois num só artista. Como ficou demonstrado no Festival de Woodstock em agosto de 1969, o rock era na época, um elemento intrínseco na vida da juventude americana e uma articulação poderosa de seu estado, esperanças e medos.

Na mesma época desse festival que consagrou Jimi Hendrix e Janis Joplin. Elvis também conhecia sua volta ao topo após o especial de TV em dezembro de 1968, que o trouxe de volta as suas próprias origens, iniciou uma série de concertos ao vivo.

Com o hit "Suspicious Minds", voltava também ao primeiro lugar das paradas em 1969.


A Importância da Gravadora Motown
Em 1960, a gravadora Motown foi fundada em Detroit por Berry Gordy Jr., que era um letrista desde a metade da década anterior. Esta companhia iria tornar-se a mais bem sucedida gravadora de propriedade de um negro.

Através do talento de compositores como Smokey Robinson (também atuando como o líder dos Miracles) e um time com: Brian e Eddie Holland e Lamond Dozier, os artistas da Motown foram uma presença significativa nas paradas dos anos 60 e início dos 70.

O nome da gravadora vem de Motor Town (cidade de Detroit) para significar um estilo musical e artístico. As canções da Motown sempre apresentavam estruturas musicais incomuns, ritmos fortes e o uso de orquestras.

A companhia costumava também criar estilos, maneirismos e ditar comportamentos artísticos para os nomes do seu cast.

Em apresentações ao vivo, por exemplo, eram necessárias coreografias estudadas e roupas elaboradas.

Esta fórmula criou vários artistas durante os anos 60, incluindo Diana Ross e as Supremes, Stevie Wonder e Marvin Gaye. Nos anos 70, o Jackson Five, de onde surgiu Michael Jackson. Nos anos 80, Lionel Richie.

Em 1970, Gordy mudou a Motown de Detroit para Los Angeles e entrou para o mundo do cinema, onde produziu entre outros, "Lady Sings The Blues" (sobre a vida de Billie Holiday) em 1972, e "Mahogany", em 1975, ambos estrelados por sua superstar, Diana Ross.

Em sua melhor época, a Motown representou o que de melhor havia em termos de música pop produzida em massa para um público, essencialmente negro, sendo inclusive, a grande responsável por introduzir os sons da música contemporânea negra ao público branco.


A Renovação nos Anos 60
A renovação natural do rock’n’roll iniciada pela sequência de fatos anteriormente descrita, praticamente só poupou Elvis. Vendo-se na volta do exército em 1960, diante de um contexto diferente daquele que deixara em 1958, realizou uns poucos shows beneficentes e passou a dedicar-se quase que exclusivamente ao cinema, além de adaptar seu repertório aos novos tempos.

Novos tempos surgiam com o aparecimento de nomes como o trio Peter, Paul & Mary, Joan Baez e Bob Dylan ditando parte do quadro que se apresentaria dali por diante - a música folk (voltada para o protesto social, durante o conflito do Vietnã).

Os ventos mais fortes da mudança, no entanto, vêm da Europa, mais precisamente de Liverpool, Inglaterra. Os Beatles começavam a dar as cartas do contexto musical e cultural dos anos 60. Antes deles, o maior nome do pop inglês era um indiano Cliff Richard, que junto com seu famoso grupo instrumental The Shadows, fazia o que se poderia chamar de Rock inglês.

Embora o som fosse quase uma imitação do que se fazia nos Estados Unidos. Por esta razão, Cliff (o Elvis inglês), conheceu o fracasso em sua tentativa de fazer o sucesso da Europa se repetir na América. Assim, quando os Beatles aterrissaram na América trazendo consigo toda uma nova ordem de coisas, foram recebidos de braços abertos por multidões histéricas e hits preenchendo quase todos os lugares disponíveis nas paradas de sucesso. O grande sucesso em 1964 era "I Want To Hold Your Hand". Sem adversários à altura nas paradas, os Beatles dominaram todo o cenário musical, comandando o que foi conhecido como "a invasão britânica". Ao contrário de se manterem na fórmula original de sucesso, partiram para novas fases em sua carreira, iniciadas com seu último concerto ao vivo em San Francisco em 1965. Era o fim de uma época, somente comparável ao início do rock’n’roll mas com um adendo importante, a televisão.

Com a TV passando a ser um veículo de informação muito mais atuante e formador de opiniões, a juventude não era mais a reprimida do pós-guerra como a dos anos 50.

Muito pelo contrário. Na segunda metade da década, batizaram sua revolução sob o lema paz e amor, sexo, drogas e rock’n’roll. Era a época do amor livre, do LSD, do não ao serviço militar e outras bandeiras.

Dentro desse contexto, os Beatles que também conheceram o sucesso no cinema, escolheram trabalhar mais incisivamente em seus álbuns de estúdio, buscando e introduzindo novas idéias, sonoridades, texturas, formas, ritmos, desenhos melódicos e novas concepções de letras, transformando o rock’n’roll em simplesmente rock. Desta fase mais madura dos quatro de Liverpool saiu o antológico álbum Sgt. Peppers Lonely Hearts Club Band, marco da história da música pop.

A invasão liderada pelos Beatles trouxe outros nomes para o cenário da música a partir de 1964. Vindos da mesma Inglaterra, os Rolling Stones (conjunto inicialmente composto por cinco elementos), mostrou-se o mais competente e o mais durável. Rapidamente conquistaram lugar na América e no desenvolvimento do rock, com uma imagem mais agressiva que a dos Beatles. O vocalista Mick Jagger, com trejeitos andróginos, transmitia muito mais sensualidade.

A importância da TV mostrava-se tão grande a ponto de tornar um conjunto como The Monkees num verdadeiro fenômeno de popularidade (criados como uma espécie de resposta americana à invasão de conjuntos britânicos). O grupo nasceu através de seu próprio seriado de TV e em pouco tempo, além da audiência, passou a dividir os primeiros postos das paradas com Beatles e Stones, se desfazendo no final dos anos 60.






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