100 ANOS DE MÚSICA
A Era do Jazz
     




Al Jolson
Art Blakey
Artie Shaw
Art Tatum
Benny Goodman
Betty Carter
Bill Evans
Billie Holiday
Bix Beiderbecke
Buddy Rich
Buddy Tate
Cab Calloway
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Cecil Taylor
Charles Mingus
Charlie Christian
Charlie Parker
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Chick Corea
Coleman Hawkins
Cole Porter
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Dinah Washington
Dizzy Gillespie
Duke Ellington
Earl Hines
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Família Marsalis
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Gene Krupa
George Benson
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Gil Evans
Glenn Miller
Herbie Hancock
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John Coltrane
John Hammond
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Larry Coryell
Lena Horne
Lester Young
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Max Roach
Mel Lewis
Miles Davis
Modern Jazz Quartet
Nat King Cole
Nina Simone
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Pat Metheny
Paul Whiteman
Red Norvo
Sarah Vaughan
Sidney Bechet
Stan Getz
Thelonious Monk
Toshiko Akiyoshi
Wayne Shorter
Woody Herman
Zoot Sims



Jazz . Introdução
Pode-se dizer que o estilo jazz origina-se de uma síntese da linguagem harmônica presente no mundo ocidental com o ritmo e as inflexões melódicas da África.

Esta espécie de fusão teve início através de obscuros músicos negros no final do século 19. Estes negros traziam consigo o idioma musical africano que se traduzia pelo estilo spirituals (canções de sentimento religioso), as chamadas Work Songs e Field Holler (cantos que eram entoados durante os penosos dias nos campos de algodão e outros trabalhos igualmente extenuantes) e o blues (o canto do lamento).

Caracterizada pela improvisação (criação espontânea de variações numa linha melódica), a música do jazz é sincopada com ritmo marcado de forma normalmente fraca (suave). Sua entonação foi considerada por muitos no início, fora de tom pelos, isso pelos padrões da música clássica.

No início, o jazz voltava-se mais para sua forma de exibição do que propriamente, com seu teor de composições.

Pode-se citar aqui, as bandas de negros que acompanhavam funerais em New Orleans, tocando hinos e lamentos a caminho do cemitério. Na volta, tocavam os mesmos hinos mas com uma roupagem menos fúnebre e mais jazzísticas (por assim dizer), além de temas do ragtime e mesmo versões sincopadas de marchas populares, mais alegeres.

Os instrumentos nestas bandas e que formariam o núcleo das primeiras bandas de jazz, eram uma corneta ou trompete que levava a melodia, apoiada por um clarinete e um trombone, e uma seção rítmica com bateria e baixo de cordas. Os conjuntos de jazz, adicionariam, no futuro, apenas um piano e uma guitarra ou banjo.



Dixieland Jazz
A forma mais antiga de música identificada como sendo jazz foi aquela executada em 1917, em New York City, pela "Original Dixieland Jazz Band". Sob o comando de Nick La Rocca, seus membros eram brancos de New Orleans, tocando um estilo que aprenderam com os negros da cidade.

Muito embora os artistas mais antigos do jazz gravassem ocasionalmente discos, somente quando essas bandas chegaram a Chicago e New York City, é que as grandes gravadoras passaram a lançar os discos e a música do Jazz nacionalmente. As primeiras gravações importantes de jazz por artistas negros foram feitas em 1923, pela "King Oliver’s Creole Jazz Band" (grupo de músicos de destaque em New Orleans na ocasião), tocando em Chicago. Entre eles, Louis Armstrong, Johnny e Baby Dodds e Honore Dutrey.

Muitos dos grupos brancos de Chicago adotaram o estilo. Entre estas bandas a "New Orleans Rhythm Kings" e os "The Wolverines", liderados por Bix Beiderbecke.

As características desse estilo mais antigo do jazz incluíam uma relativa e complexa interação de melodias entre a corneta (ou trompete), clarinete e trombone juntamente com uma marcação fixa do piano, baixo e bateria. A textura era predominantemente polifônica e muitas bandas não usavam nenhum tipo de partitura ou música escrita, compondo os temas ‘de ouvido’. O improviso era fator indispensável.

A popularidade veio para o jazz nos anos 20, através das cidades Chicago e New York, muito embora, a febre já tivesse se instalado por todo o país. Este período ficou conhecido como "The Jazz Age".

Em Chicago, os principais artistas eram membros de pequenas bandas como os "The Wolverines". E em New York por sua vez, os grupos eram maiores chegando a ter dois ou mais trompetes, um ou dois trombones e três ou quatro palhetas, além da seção rítmica. Os grupos maiores tocavam em shows de revistas, grandes teatros e casas de espetáculos.


New York Jazz
Com o tempo, os arranjos escritos e as performances solo foram ganhando maior interesse, ênfase e renomes começaram a aparecer como: Sidney Bechet, Ferdinand ‘Jelly Roll’ Morton, Coleman Hawkins, Louis Armostrong e James P. Johnson, os bandleaders Fletcher Henderson e Duke Ellington. Foi inclusive Henderson quem desenvolveu o estilo conhecido como swing, apresentando o som ‘tipo chamada e resposta’ entre metais e palhetas, uso intenso de riffs, com arranjos elaborados e frequente inserção de solos de improviso.

Ellington, por exemplo, deixou de fazer apenas arranjos para tornar-se compositor, principalmente para os shows no Cotton Club do Harlem. Muitas de suas composições tornaram-se grandes sucessos populares e verdadeiros ‘standards’ para os músicos do jazz.

Outra importante faceta do jazz de New York foi a produção do blues vocal em gravações destinadas principalmente para o público negro.

Devido a forma única do blues, muitos dos maiores artistas do jazz foram usados como nomes de apoio para inserções instrumentais entre as frases cantadas.

A maior cantora deste período foi Bessie Smith, cujas gravações dos anos 20 são consideradas modelo desse estilo.


A Era do Boogie-Woogie
Trata-se de um estilo de piano do jazz caracterizado por riffs com a mão esquerda sustentados e corridos geralmente ao tempo de oito compassos. Uma versão rítmica intensa da guitarra do blues que era tocada para ser dançada em bordéis e 'rent parties '(bailes para arrecadação de dinheiro), hábito das comunidades negras pobres.

O estilo não era muito popular até a metade dos anos 30, quando teve a atenção de John Hammond, produtor de discos de jazz, que após ouvir uma gravação de "Honky Tonk Train Blues", contratou seu compositor, Meade lux Lewis que trabalhava num lava-carros. Lewis fez vários discos para Hammond, assim como Pine Top Smith e Albert Ammons. Hammond, Smith e Ammons formaram um trio de boogie-woogie e tocaram no Carnegie Hall no auge da febre do ritmo, no final dos anos 30.


A Era do Jazz Swing
O idioma dominante dos anos 30, e boa parte dos anos 40, era o swing. Usado quase que exclusivamente como música para dançar, o som das big bands empregou muitas das técnicas de Henderson. Entre os nomes mais populares desta época estão as orquestras de Benny Goodman, Glenn Miller, Woody Herman, Tommy e Jimmy Dorsey e Artie Shaw.

Numa espécie de dissidência deste som extremamente orquestrado destas bandas de New York, um outro estilo do swing era praticado pelos lados de Kansas City. Sob a influência de Count Basie e Bennie Moten era enfatizado um vocabulário do blues, com alterações de tempo e andamento, além do uso extremo de riffs. Entre os solistas associados a esta variação encontramos Lester Young, da banda de Basie.


A Era do Bebop
No início dos anos 40, as limitações e restrições de arranjos das big bands começaram a fazer com que vários músicos do jazz passassem a rejeitar a linguagem vigente e juntos criaram o que foi conhecido como o Bebop ou Bop, no cenário de New York. Na liderança deste movimento, Charlie Parker, Dizzy Gillespie, Thelonious Monk e outros.

Basicamente, o bebop representou um retorno à concepção de grupos pequenos do Dixieland, com um instrumento de cada vez ao invés de sessões usadas pelos grupos do swing (enfatizando solos), o que abriu espaço para um maior desenvolvimento do virtuosismo.

O estilo bebop era extremamente complexo em suas concepções rítmicas, extensões das estruturas harmônicas usuais e um fraseado rápido e irregular.

Exigia grande capacidade de ‘ouvido’ e essa irregularidade rítmica não era um estilo para se dançar. Isto ocasionou a primeira desqualificação do jazz como música popular. Este estilo foi adotado por muitos durante os anos 40 e 50, mas rejeitado por aqueles que preferiam as técnicas mais conservadoras do swing.


A Era do Cool Jazz
Um dos mais importantes estilos do jazz nos anos 50 ficou conhecido por Cool-Jazz.

Sob a liderança de Miles Davis, músicos acadêmicos extremamente treinados inauguraram este estilo, caracterizado como uma volta aos princípios do swing, mas sem dar ênfase aos riffs e ao principio ‘chamada e resposta’.

O Cool introduziu uma série de novos instrumentos nesse estilo, como flauta, sax barítono, o flugelhorn e outros.

Seus adeptos rejeitavam a ênfase emocional do bebop, bem como a exploração da extensão e a virtuosidade. Eles preferiam tocar em registros médios, com ‘ataque suave’, pequeno vibrato e frases de compassos grandes.


Third Stream
Aliado ao cool-jazz, esse período foi capaz de combinar formas clássicas modernas às técnicas do jazz, como usar trechos de improvisação, composições escritas para orquestras sinfônicas e de câmara, incluindo quartetos de cordas.

Formas musicais identificadas com a tradição clássica eram utilizadas e a textura polifônica tornou-se importante como pode-se ouvir em trabalhos como os do Modern Jazz Quartet.


O Jazz dos Anos 60
O Jazz dos anos 60 foi um espelho das transformações sociais do momento. Muito dos trabalhos se caracterizavam pela busca de liberdade harmônica, melódica e rítmica.

Um dos nomes de destaque desta época foi Ornette Coleman, cujo álbum "Free Jazz" de 1960, daria a tônica da década. Coleman apresentava oito músicos improvisando individual e coletivamente sem nenhuma idéia pré-determinada. O resultado final foi a quebra total dos padrões que se tinha quanto à improvisação, que por muito tempo foi caracterizada por variações melódicas normalmente baseadas num tom determinado e progressão harmônica.

Artistas como Cecil Taylor e outros foram longe do jazz tradicional usando a tonalidades e outras dissonâncias.

A figura líder deste período foi John Coltrane, que em muitos de seus trabalhos abandonou completamente os tons, improvisando dentro de uma única estrutura na escala ou sobre um único acorde. Seus muitos seguidores cultivaram um estilo quase que totalmente emocional, com expressiva extensão de seus instrumentos até extremos que demonstrassem esta passionalidade em sons. O resultado foi um dramático decréscimo da popularidade do estilo, onde muitos críticos expressaram seu temor de que a arte estaria condenada.


O Jazz dos Anos 70
A década de 70 trouxe o interesse renovado para o estilo, com um 'revival' de muitas das concepções mais tradicionais adicionadas às novas. A popularidade das big bands, usando inúmeras características do swing espalhou-se por ginásios e 'campus' universitários.

Thad Jones, Mel Lewis, Woody Herman e Count Basie lideraram este verdadeiro renascimento das big bands. Muitos outros músicos, por outro lado, buscaram a fusão com o rock, absorvendo as inovações que esse estilo sofrera nos anos 60. Liderando esta fusão, nomes como os de Miles Davis, Herbie Hancock, Chick Corea, Wayne Shorter e George Benson, deram ênfase ao uso de instrumentos eletrônicos, maiores sessões de percussão, figuras rítmicas e melódicas repetidas e segmentos relativamente longos tocados sem nenhuma mudança 'rígida' de harmonia.

Outros líderes do movimento como McCoy Tyner fizeram extensos experimentos em temas e efeitos, refletindo a identificação negra com as religiões e o espiritualismo do leste. Composições dissonantes em larga escala para grupos de jazz ganharam popularidade devido à influência de nomes como Anthony Braxton e Sun Ra. Ao mesmo tempo, músicos mais tradicionais como New Orleans Preservation Hall Jazz Band encontraram um público entusiasta.


O Jazz nos Anos 80 e 90
Nos anos 80, houve adições ecléticas à linguagem do jazz. O chamado Afro-Pop (que combinou jazz com sons e ritmos africanos), e a música latino-americana (mais propriamente a brasileira), que trouxe novas variações.

Cada vez mais músicos de jazz incorporam a formação clássica, como os irmãos Marsalis. Em contraste com uma música cada vez mais complexa e difícil, verifica-se um renovado interesse pelo improviso. O coração do jazz irrompeu em plena era da eletrônica.





"Se você quisesse dar outro nome para o rock'n'roll, você poderia chamá-lo de Chuck Berry." John Lennon

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