· 14º Capítulo ·
E o tempo passou...
Não existiam mais doenças, as feridas haviam cicatrizado e os estudos estavam seguindo
seu curso natural. - Era a vida -, pensava.
O rapaz galanteador agora quase se formando já pensava em casamento, pensamento este
que meu avô rejeitava com fervor. Sempre que o rapaz tocava no assunto, ele mudava a conversa.
Não cheguei a conhecer meu avô. Mas por tudo que passou, ele aprendeu a ouvir os
sinais da vida, do tempo, do destino. Era algo a ser respeitado.
Minha mãe trabalhava como secretária para ajudar em seus estudos. Até que um dia resolveu
dar um ultimato ao pai para aceitar seu noivo.
O pai não gostava da idéia de após o casamento e a formatura do rapaz, voltarem
para o interior de outro Estado, só porque lá teriam mais condições de prosperar. A idéia
de deixar a filha longe de sua família, o assustava.
Contudo, não recusou a proposta do rapaz, mas deu um aviso surpreendente em uma
época em que poucas pessoas conseguiam falar ou ao menos sugerir algo semelhante:
- Minha filha ! Se algum dia esse rapaz lhe fizer algum mal, separe-se e volte para sua casa.
Aquelas palavras tão severas e com tom premonitivo, soaram estranhas em seu coração. Mas
prevaleceu o amor pelo rapaz e a confiança que tudo de triste e pesaroso em sua vida, havia
ficado para trás. Ficou a vontade de ser feliz e de poder viver a felicidade, enfim.