Na Inglaterra da época de Eduardo VI, existiu o famoso Solar de Oxenby.
Famoso por suas histórias de terror e aspecto tenebroso e sombrio.
Uma jovem senhora, chamada Hartnoll, viveu em Oxenby quando criança e narrava
sempre o episódio que, um certo dia, quando ainda menina, seguindo para o seu quarto,
ouviu uma das portas do corredor ranger e um gato preto passar por ela.
Não haveria nenhum choque e nada de diferente estaria acontecendo, se
não o fato do gato ser aparentemente assustador: era aleijado de um olho e de uma das patas.
O gato, negro, de olhos brilhantes, olhou firmemente em seus olhos e desapareceu.
Naquele mesmo dia, a jovem Hartnoll, teve a notícia de que seu irmãozinho morrera
num acidente. De imediato, a menina não associou a morte com a presença do gato,
até que um certo dia, dois anos após o acidente, o mesmo gato apareceu
do nada, de repente, cambaleando e sangrando.
Parou, olhou para ela com seus olhos brilhantes e desapareceu como da última vez.
A jovem Hartnoll, apavorada, correu para o quarto da mãe, e ao chegar a encontrou falecida
por um derrame súbito.
Dali em diante, a pobre menina era uma pessoa apavorada, evitando encontrar-se a sós
principalmente pelos corredores do solar. Mas eis que um dia, novamente, o
gato preto a encontrou. Desta vez, estava cansado, mas não tão machucado.
A jovem Hartnoll, que agora já era uma moça quatro anos mais velha desde a morte da mãe,
estava ciente de que algo ruim iria acontecer ainda no findar naquele dia.
E a previsão se cumpriu: à noite, seu pai faleceu.
Muitos anos depois, após ter abandonado o "Solar de Oxenby" e tornado-se professora da região,
a jovem senhora Hartnoll, resolveu pesquisar sobre o local e encontrou algumas explicações
e associações.
No século passado, o solar foi avassalado por um tutor sangrendo, que matou
o verdadeiro herdeiro das terras, colocando o seu filho bastardo na herança das propriedades.
O tutor era uma figura tão maldosa e sádica, que antes de assassinar o menino, matou lentamente
o seu gato preto esquartejando-o e o queimando vivo. Desde então, o gato nunca mais saiu do
solar e pressagiou por séculos as mortes que por lá vieram a acontecer.