Monstros
Eu tenho pensado e sentido muito em uma frase que tem regido a minha vida nos últimos tempos:
"Não importa o que fizeram de mim, o que importa é o que eu faço com o que fizeram de mim." (Jean-Paul Sartre)
Até onde as pessoas nos levam a não sermos nós mesmos?
Até onde entramos em uma cadeia de mentiras e nos tornamos mentirosos por consequência?
Até onde nos tornamos levianos, intransigentes, indiferentes, insensíveis porque foram conosco?
Até onde a humilhação e desprezo que passamos nos torna seres de segunda esfera, de baixa dimensão?
E o que eu estou fazendo com o que fizeram de mim?
Estou no eixo? Estou no caminho de antes? Estou dentro de minha própria vida ou da vida que me conduziram?
Não sei. É uma cadeia sem fim, sem limites.
Exige um auto-controle talvez com total incapacidade do ser humano de controlar.
O que eu fiz de mim pelo que me fizeram?
O que eu faço de mim agora com o que me transformaram?
Ah... Sartre... você não encontrou respostas efetivas, definitivas e eficazes à sua própria metafísica. Não serei eu, pobre mortal a encontrar.
O que eu sei é que precisamos ter controle sobre nós mesmos e a famosa bola de neve não nos levar avalanche abaixo.
Será que conseguiremos? Será que conseguimos?
Eu tenho pensado muito no que eu me tornei pelo fato do que fizeram de mim, do que me fizeram pensar que eu fosse, do que me
fizeram sentir que eu era e o que não era mais.
Eu tenho pensado muito se realmente não importa o que fizeram de mim e se só importa o que eu faço com o que fizeram de mim.
"Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo,
o abismo olha para você."
Friedrich Nietzsche