Autocompreensão
Há, exatamente, um ano atrás, eu era mais feliz!
Eu sorria com o vento.
Sorria das piadas que não compreendia.
Sorria até dos que zombavam de mim.
Sorria alegre e inocentemente de tudo.
Existia uma segurança e tranquilidade em minha alma que hoje, parece não existir mais.
Há, exatamente, um ano atrás, eu não tinha vícios, eu não enxergava a maldade ou a traição,
não tinha rancores, não trazia mágoas e incertezas em meu peito.
Aquele que muito admiro, Jean-Paul Sartre, me ensinou com a sua literatura que "...eu era uma criança, esse monstro que os adultos
fabricam com as suas mágoas...". Pois é assim que me sinto hoje: misto de criança e monstro.
Cresci, embora ainda não consiga julgar a quem amo;
cresci, mas ainda suponho que o outro possa ser perfeito;
cresci e tive que compreender que o "mal só pode ser vencido por outro mal". O resto é utopia e inocência.
Tenho a sensação de que morri no último ano e que irei renascer no próximo.
Morri no exato momento em que deixei de ser infantilmente alegre e só vou renascer quando minha alegria voltar inteiramente, quando
me vir novamente sorrindo dos que zombam de mim ou pelo fato de um passarinho ter se molhado na bica.
Porém, sei que fui libertada dos meus remorsos, de meus pesares.
Eu sei que, agora, sou somente escrava de mim mesma, de meus vícios e já não faço e não
sinto mais o que não quero. E, ainda, aprendi que "...a inocência não se envergonha de nada." (Jean Jacques Rousseau)
Portanto, deixo aqui a vocês uma lição de vida, mesmo sabendo que 'não existe uma receita para a vida que sirva para todos':
vale a pena ser inocente!
Vale a pena não desejar o mal!
Vale a pena não entender os que nos zombam!
Vale a pena ser feliz de todas as formas.
E, como diria o gênio Saramago: "Tardia como em geral a justiça o é, mas definitiva" -,
haverá sempre um Deus olhando por nossa inocência e nos protegendo com suas asas e reprimindo o mal que nos fazem.
Eu ainda acredito na máxima "...bem-aventurados os que choram porque serão consolados..." -, eu fui consolada!
"Os indivíduos não chegam a uma total autocompreensão enquanto não aceitam seus sentimentos religiosos. Na medida em que o indivíduo não reconheça
o valor do outro, nega o direito de existir também ao 'outro' que está em si, e vice-versa.
A capacidade de diálogo interior é um dos critérios básicos da objetividade."
Carl Gustav Jung