Espaço Afetivo
Quando amamos verdadeiramente, temos sempre receio de que o espaço afetivo ocupado na vida de quem amamos, que é o foco de nosso sentimento,
seja modificado a qualquer momento. Para uns, este fato, esta sensação é de extrema banalidade e traz suspeita de delírio; para outros, como eu,
é de extremo valor e importância.
Existe sempre na nossa vida amorosa um rival real que, às vezes, se transforma em imaginário e irreal. Ele é dúbio. Inconstante em nossa consciência.
De fato, temos que aprender a conviver com esse personagem pois ele sempre irá existir nas esquinas do nosso inconsciente -, por mais seguro que sejamos
ou estejamos em cada período, fase mais sensível, de nossas vidas.
A autoconfiança é mutável como o tempo, como a vida e a morte, como a chuva e o sol, como a saúde, elementos que mudam nossas vidas em instantes,
em milisegundos. E, quando percebemos, tudo o que era, passa a não ser mais, e, tudo o que existia, passa a ser uma terrível fantasia ou um forte pesadelo.
Existe uma necessidade interna e natural em todos nós de querer preservar "esse algo" - "esse espaço afetivo" importante para nossa vida
(o sentimento verdadeiro do objeto de nosso afeto), sem conotações pejorativas de possessividade e desconfiança. Pensamos sempre obsessivamente, quanto
do sentimento que deveria ser nosso está sendo doado ou transferido para esse rival real ou imaginário. Muitas vezes, não conseguimos
nos manter no eixo e nos perdemos. A partir daí, nos transformamos em crianças que precisam de espaços lúdicos e afetivos para que a segurança retorne
e tome conta de nosso corpo, de nossa mente, de nossa vida. Nosso raciocínio cognitivo com noção de espaço, tempo e causalidade se perde e
nossas características individuais, de motivação, criatividade, bondade e interação social, se perdem.
Que pena que o ser humano, na maioria das vezes, nem tem consciência deste ato, de causa e efeito, em si mesmo e nos outros.
"O amor é o objetivo último de quase toda preocupação humana; é por isso que ele influencia nos assuntos mais relevantes, interrompe as tarefas mais
sérias e por vezes desorienta as cabeças mais geniais." (Arthur Schopenhauer)