O chela e seus dois companheiros decidiram que qualquer coisa seria melhor do que nada, e assim o Mestre passou a falar, por algum tempo, sobre os sete raios.
Tomando notas à proporção que o Mestre falava, os chelas compreenderam partes da sua informação mas, como ele predissera, acharam incompreensível boa parte da exposição.
O discurso do Mestre, todavia, marcava apenas o início do que estava por vir. Dali em diante, fase por fase, abundante riqueza de dados fascinantes sobre os sete raios principais, ou Tons, foi liberada para a humanidade.
Havia muita coisa para ser dita acerca da natureza individual dos raios, suas relações recíprocas e, acima de tudo, o modo com que eles influem nos padrões materiais, psicológicos e espirituais da vida sobre a Terra.
A conversação acima reproduzida, no entanto, não aconteceu na antiga Índia, nem na China, nem no Egito, durante as idades áureas desses países há muito transcorridas.
O diálogo, segundo Charles W. Leadbeater, que se achava presente, ocorreu no fim do século XIX. O chela que fez a pergunta foi o autor, o Sr. Cooper-Oakley, e o Mestre era Djwal Kul, membro da fraternidade dos Adeptos conhecida como a Grande Fraternidade Branca.
O incidente verificou-se na Índia, nos primeiros dias da Sociedade Teosófica.
O fato é que os excessos mais insensatos de vulgar materialismo na ciência e na visão geral do homem ocidental atingiram, de muitas maneiras, o seu ponto máximo nos fins do século XIX, quando entraram a declinar.
É verdade que dificilmente se poderá dizer que a atual civilização ocidental patenteia, na mesma extensão, a perspectiva mística que prevalecia na antigüidade.
Existe, porém, presente no Ocidente atual, o que é quase uma força oculta em atividade; uma rede subterrânea de indivíduos que nunca poderão ser especificamente definidos, qualificados ou contados, uma vez que ainda não existe nenhuma organização - nenhuma Solidarnosc - a que pertançam.
Meditação, astrologia, estudos da aura humana, reencarnação, acupuntura, poder-se-ia fazer uma extensa lista de assuntos desse naipe que agora interessam consideravelmente a uma minoria de pessoas.
A gnose está voltando. Revestida, talvez, de um traje algo diferente e emprestando uma ênfase maior à documentação científica, mas que é, essencialmente, o mesmo sistema de crenças da antiga sabedoria, está de novo encontrando grande número de adeptos. E, desta feita, mais do que nunca, ela tem muita coisa para contar a respeito do poder do som.
O esoterismo na forma de mitos e textos religiosos pode ser lido e discutido confortavelmente por todos - está tão afastado no tempo que não nos conturba nem no obriga a pensar.
Quando, porém, encontramos esse mesmo esoterismo diante de nós, com todas as suas reinvidicações cara a cara em nosso próprio tempo, temos a inevitável divisão do caminho entre os que o aceitam e os que o negam.
Quão objetivos e válidos são os dogmas do esoterismo moderno? Não seria possível, neste livro, debater o problema com a latitude que ele merece. Eu diria simplesmente, no nível pessoal, que algumas experiências na vida me ensinaram, em primeiro lugar, que nunca se fez declaração mais verdadeira do que aquela de que a verdadeira é mais estranha do que a ficção.
Tem havido ocasiões em que a ficção científica e até a mais fantasiosa das fantasias empalideceram, paredendo inexpressivamente destituídas de imaginação, diante de alguns segredos de que a realidade houve por bem oferecer-nos alguns vislumbres.
Dito isso, deixaremos que o leitor se decida, enquanto discutimos algumas coisas que os esoteristas modernos têm para dizer-nos a propósito dos poderes interiores do som.
A partir da conversação entre Cooper-Oakley, Leadbeater e Djwal Kul no terraço do quartel-general da Sociedade Teosófica, a grande fraternidade dos Adeptos, a que Djwal Kul pertencia, forneceu novas informações sobre as sete freqüências do Verbo, conhecidas como os sete raios.
Com base nessas informações é possível elaborar uma tabela que mostra os principais atributos de cada raio.
Revela-nos o chakra, a cor, as qualidades divinas e as perversões das qualidades divinas relacionadas com cada um dos raios. Não somente a música, é claro, mas todas as atividades da vida - cada pensamento, palavra e ato - amplificam um ou mais dos sete raios ou suas perversões.
Não obstante, o emprego do tom é um dos principais meios pelos quais se amplificam os sete raios ou suas qualidades psicológicas ou espirituais que se expandem através do eu e da sociedade toda vez que se executa uma música bela e harmoniosa.
A música errada amplifica não executante, no público e na comunidade em geral as várias perversões enumeradas dos raios.
Pelo exame dessa tabela poder-se-á obter uma compreensão de muitos males atuais da sociedade, bem como a compreensão do modo com que se podem dissolver esses males pela promulgação da música correta, como a música clássica oriental e ocidental.
Impressiona-me o quão imediata e notavelmente aparecem esses traçõs nas pessoas toda vez que se toca música, boa ou má.